quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Beatriz



Todos os dias observo a paisagem com olhos curiosos, olhos vagando a procura de uma inspiração. Desde a tia vendendo bala na frente da escola, ou a criança feliz por estar no banco mais alto do ônibus. Me disseram que "observar é escrever". Eu estou aprendendo, estou reaprendendo algo que sempre soube, mas nunca percebi.

Usar o ônibus dia de domingo e ouvir cada conversa. Ver diferentes pessoas

 Do meu lado, uma senhora do sotaque forte, falando sobre o clima, sobre o dia. Como está frio, e o calor vem de repente. E vice e versa. Esse é o mais famoso clichê para puxar conversa, eu já fiz, você também.

No último banco, o Boliviano prestando atenção em cada lugar, quase com medo de se perder. Olho pela janela e vejo um casal de bolivianos e seus filhos querendo entrar. Por coincidência (ou não), o que já estava no ônibus, se conhecem. Falando a língua deles, quase se sentindo em casa. Minha cidade esta sendo dominada por eles, penso se um dia terá lugar pra nós morarmos, de tantos Bolivianos que aqui tem.

Não sei de onde vem o amor que sinto pela minha cidade, e o ódio que sinto da cidade de São Paulo. Na verdade, o meu problema, são com as pessoas. Ou não.

Eu sempre encontrei a minha inspiração nos rostos, lugares, amores, experiências, mas nunca percebi que a minha inspiração estava diante de mim, ou dentro de mim. Percebi também que devo fazer as pazes com São Paulo, e dar mais uma chance para me mostrar que ela é uma cidade em que possa me apaixonar, e poder dizer que existe sim amor em Sp. 


Mas, enquanto isso, eu a observo tentando descrevê-la, procurando a sua beleza a cada esquina, na qual eu a vi partir há uns anos atrás.
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