terça-feira, 29 de outubro de 2013

Alarme





Estou sentindo o celular tocar. Olharei esta chamada  com o maior desprezo. Não, deixarei ele no bolso, deixarei tocar para ela perceber o quanto eu sou forte, e só quando você cansar de me ligar eu atenderei, não ligarei de volta. Sou um homem livre a partir de agora, serei autossuficiente. Isso! 

Não quero dar o gostinho de preocupação que tenho a oferecer, serei o mais
grosso possível. Direto, apenas um "oi" bem seco, meias palavras, como: "Estou bem". E esperar o silêncio constrangedor fazer com que ela pergunte mais sobre mim. Está decidido, pode chamar o quanto quiser, esse toque não entusiasmará meu coração, muito menos meus ouvidos que estão carente de sua voz. Não deixarei que a sua voz contagiante me anime nesse dia chato, e muito menos quero ouvir você dizer o quanto me ama, nada me abalará, nem mesmo se pedir um carinho meu neste dia frio.

É... Talvez eu deva atender... Sei lá... Vai que é algo importante, né?!

"Alô, amor da minha vida! Estava ansioso para ouvir essa sua voz rouca de sono pela manhã, ela que mesmo assim me trás felicidade para o resto do dia, ela que... Alô, Alô?!"

As vezes a felicidade vai embora com apenas um alarme esquecido.
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